(excerto)
Contos em Noites de Lua Cheia, "O Vale das Sombras"
- A(dal)berta Engana-Tolos
Enviuvou depois de eu para cá vir, e durante uma breve saída para os mares do sul.
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Nunca lhe vi compunção relativamente ao seu novo estado, nem tão pouco em Novembro, no Dia de Todos os Santos - livrou-se de amarras, deu-se ares de gente, começou a praticar ginástica na Associação da Marmeleira, era um vai-vem fora do comum e de todos os seus hábitos de todos os dias.
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Foi viver para casa de um dos filhos, algures, e aparecia de quando em vez, com vestidos e/ou "trajes de luces" pendurados no cabide do carro, que ficavam, noite e dia a acicatar eventuais invejas, ou a curiosidade dos vizinhos, bem como sacos transparentes com sapatos, de salto, (nada usual nela), de passeio ou "cocktail" - o outro filho, vendo o "escaparate", julgou-a doida.
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Um dia arranjou cadela para passear - da qual se cansou depressa demais.
Nessa altura deixava o meu carro sempre fora do parque, para evitar mais estragos.
Ela procurava-o, (bem como muitos outros); um dia, após o passeio com a cadela, fui verificar se eram boas as intenções dela .... - tinha pontapeado uma porta lateral.
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Pretende fazer-se de grande senhora: deu carro novo ao filho, (creio que é o mais novo - que não é parvo, não senhora?!...), motas à nora e ao filho,
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Faz crer que nada em abundância.
Engordou.
Uma baleia viva, mexendo-se lenta e arrastadamente.
Desapareceu no horizonte e é o que importa.
Não deixou saudades.
Já não se sente bem por cá.
Voltou a mascarar-se, (quando por cá aparece), como outrora - a gebice é o seu traço primordial.
27/12/2011, (08h:28')
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