Não me importa já se vou se fico
Não me incomoda já a fumaça
Que se evola nas minhas lucubrações
Não me indago já das incertezas
Não luto já por mais certezas
Está tudo feito, está tudo sonhado
E nem já a esperança me acalenta
O ritmo das minhas emoções
Quedo-me nas palavras que mimo
Aos gestos inconsequentes de absoluto
E prolongo-me em êxtases revivalistas
Nos siderais diapasões das minhas soltas vivências
Sombras, sigilos, repercussões,
Poses, reflexos, penumbras,
Crepúsculos, gaivotas, evoluções,
Silêncios, cadências, orações
E mundos ignaros, silentes,
Cinegéticos de cinestesias, dolências
Marés de vagas inventadas
Batéis, romarias, terraços,
Ribalta, luzes, guitarras
Timbres que imergem e me transportam
Nos esquarteirados espaços das fechaduras das portas
Trancas, ferrolhos, grilhetas
E esta liberdade que mede
Imagens fortuitas de forjadas realizações alheias
Balanço, quebranto, perdas
Regresso de fugas constantes,
Lugares vazios de assoberbados
E um desânimo morronhento
Que esparge lassidão,
Desencanto, frustração, dor
Na minha plenitude extemporânea
De entendimento dos porquês
23/08/1984, (13h:58')
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Cansaços...
Cansaços, canseiras, azáfamas
Ditames, intenções, recusas
Angústias, agastamentos, fúrias
E tudo para deglutir a vida
Num dia que corre, e célere se escoa
Deslizando no encanecer da minha juventude
Esvaindo ternuras, mimos, querenças,
Calejando nos lábios palavras sôfregas
Que se transmutam já de camarinhas
Soltas, esparsas, difusas
Num interlúdio de baqueações
Que soçobram vontades, desejos e sonhos
23/08/1984, (12h:30')
Ditames, intenções, recusas
Angústias, agastamentos, fúrias
E tudo para deglutir a vida
Num dia que corre, e célere se escoa
Deslizando no encanecer da minha juventude
Esvaindo ternuras, mimos, querenças,
Calejando nos lábios palavras sôfregas
Que se transmutam já de camarinhas
Soltas, esparsas, difusas
Num interlúdio de baqueações
Que soçobram vontades, desejos e sonhos
23/08/1984, (12h:30')
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
(Queria fugir...)
Queria fugir, queria amar...
Queria fugir, deixar-te e sofrer por ser cobarde,
Mas o amor - (será?) - deu-me asas
E eu fiquei perto, tão perto de ti...
Senti vibrar em mim frenéticas sensações,
Extáticas volúpias
E esqueci... esqueci o mundo...
Longe bole tudo o que deixei,
Para ficar ave contusa repousando nos teus venosos, libidinosos amplexos.
Senti próximo o céu da minha louca felicidade,
Senti poisar, em haustos desenfreados, ósculos esterlinos -
Sim: dentro de mim sinto deflagrar-se, colidir estrelas incandescentes de paixão,
De desejos longamente contidos
E fiquei ave acéfala, queda
No onírico ninho de ternura arrastada,
Saciada dos teus braços, da tua boca...
Algo transcendente me banhou o seio de aceso ardor de me sentir tua -
Ou será que tu e eu seríamos uma simples imagem,
Uma irreal quimera difusa, fundida em estreitíssimo amplexo?
Sei só que fiquei,
E hoje só sou "Tu - e - Eu"!
05/08/1971, (14h:00')
- arremedo composto três dias depois do meu desfloramento - uma situação confusa para mim,que me prostrou, com o corpo todo "partinho", como se me tivesse exercitado duramente para os jogos olímpicos - do prazer nada ficou: dores, uma forma estranha de invasão, de violência; estive sempre expectante, tentando perceber o jogo dos nossos corpos, e como conduziria tudo isso ao clímax: "ave acéfala"?!...
Queria fugir, deixar-te e sofrer por ser cobarde,
Mas o amor - (será?) - deu-me asas
E eu fiquei perto, tão perto de ti...
Senti vibrar em mim frenéticas sensações,
Extáticas volúpias
E esqueci... esqueci o mundo...
Longe bole tudo o que deixei,
Para ficar ave contusa repousando nos teus venosos, libidinosos amplexos.
Senti próximo o céu da minha louca felicidade,
Senti poisar, em haustos desenfreados, ósculos esterlinos -
Sim: dentro de mim sinto deflagrar-se, colidir estrelas incandescentes de paixão,
De desejos longamente contidos
E fiquei ave acéfala, queda
No onírico ninho de ternura arrastada,
Saciada dos teus braços, da tua boca...
Algo transcendente me banhou o seio de aceso ardor de me sentir tua -
Ou será que tu e eu seríamos uma simples imagem,
Uma irreal quimera difusa, fundida em estreitíssimo amplexo?
Sei só que fiquei,
E hoje só sou "Tu - e - Eu"!
05/08/1971, (14h:00')
- arremedo composto três dias depois do meu desfloramento - uma situação confusa para mim,que me prostrou, com o corpo todo "partinho", como se me tivesse exercitado duramente para os jogos olímpicos - do prazer nada ficou: dores, uma forma estranha de invasão, de violência; estive sempre expectante, tentando perceber o jogo dos nossos corpos, e como conduziria tudo isso ao clímax: "ave acéfala"?!...
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