Este meu corpo frenente
de fomes já secas
Estas ânsias mordentes
de angústias exaustas
de haurir fontes de prazer
Estas minhas mãos dormentes
de ternuras cinzentas,
de sofredoras inanidades
Estes meus olhos silentes
de dores cansadas
Estes meus lábios sôfregos
de trémulas fragrâncias
Este meu desejo incontido
nos contrafortes do meu ventre
Esta solidão tenaz,
que me sussurra exangues lamentos,
me desnuda de medos,
me refaz de tristezas,
me acerba a melancolia,
e me diz, incauta, da surdez
na diáspora da minha insondável neurastenia
Um pasmo-espasmo
na sofreada vontade de construir o nada.
08/02/1984, (14h:15')
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