sábado, 5 de abril de 2014

Um Conto de quando em vez... (excertos)

Zé Pinta e a Pintinha

# Tenho, por força das circunstâncias, que estão a redundar em evidentes (re)incidências, que voltar aos textos publicados há dois anos; este caso está a repetir-se, de uma outra forma #

Viúvo. Consta que desde o nascimento, ou pelo parto da filha...não me tinha, ainda, dado conta de que o andar contíguo fosse...habitado.
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...Oiço, sem qualquer recato, falar(em) de mim, tentando ele "tirar nabos da púcara" da vizinhança - como pouco ou nada sabiam de mim,..., foram aventando, inventando, aumentando, e concertando, para que o que engendravam fosse real, de tal sorte que, quando acontecia ver-me envolvida numa breve conversa, nas minhas costas me apelidavam de falsária e mentirosa.
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Dada a insistência, ao longo de dois ou três anos, ..., vi-me forçada a pedir que diligenciasse para que a Pintinha, (a filha, de onze,doze anos), me deixasse em paz.
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A artimanha da criatura atingiu um tal desenvolvimento maquiavélico da criatividade, que me vi a braços com sérios embaraços de toda a ordem...
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lançavam dichotes sobre uma eventual relação,...utilizavam os meios mais obsoletos e estúpidos, ou na rua, apelidando-me de nomes a que não estava de modo algum habituada. Um inferno....
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Zé Pinta, como todo o "bom chefe de família", frequenta os bares e clubes nocturnos.
Era um corrupio sem vergonha.
Já não se trata de machismo: é libertinagem, pura e simplesmente.
Se o "namoro" durava mais que uma breve noite, vinha de amásia e filha para casa, depois de por lá ter estado a ver se "a coisa pegava". Não faço ideia com quantas me cruzei...
Esta circunstância terá perfigurado uma ideia insólita de conceito de família na cabecinha da Pintinha. A forma discrepante como lidavam um com o outro, (pai e filha), levava-me a crer nos rumores que circulavam...

Contos em Noites de Lua Cheia
Composição: Fast.Livro
ISBN: 978-989-20-3163-7
Junho de 2012




Nihil est nulla

Tal como uma seiva que se pretende extrair, sinto, por vezes, que me pretendem sugar até ao tutano, "no matter what".
De desespero em desespero, de descompensação em descompensação, vivo rodeada de causas desbocadas com intenções maléficas, que me ostracisam cada vez mais - odeio tudo o que à minha volta mexe, como se o ar me faltasse. Quem se lembra de mim? Quem me dá, nem que seja um dedo, para que acredite, que, até para mijar, às vezes é preciso que nos dêem de beber?
Gasta desta enxúrdia, mal consigo segurar os fiapos da minha frágil estrutura para seguir em frente. Mais que absurda, é nihilista !

Vida breve, mais breve a desejava, de tanto sofrimento!

BMLourinhã, 05/04/2014, (15h:32')