quinta-feira, 26 de julho de 2012

"Silêncio, Saudade e Morte"

Encerraste-te, recluso no teu orgulho de macho,
Talvez ferido pelo meu egoísmo descontrolado,
Mas eu sei, e tu também,
Que um dia, distante ainda,
Um dia, seremos a sombra um do outro,
Que os nossos passos se encaminharão para a bruma do esquecimento,
Que tudo será então o Passado, infrutífero, improfícuo, nulo
No tempo que desliza sôfrego em direcção vertical à câmara silenciosa da Morte
E que, nesse Passado-Presente-Futuro,
Eu pretenderei preterir momentos que jamais soarão iguais
E só me restará a Saudade amarfanhante de Ti, de Mim, de Nós.

25/10/1971, (00h:15')

domingo, 8 de julho de 2012

(Ah! Os outros?!...)

Parênteses: título hoje aventado, 08.07.'12

Aconteceu passar por mim uma "sombra" mais: quatro dias passaram - Domingo de Páscoa!
Cansada de jazer como quem espera Godot desassossegadamente, saí para o Sol, fui ver a vida, o que dela se projecta nos outros - é a Baixa, são os "street-lancers", é o espectáculo dos espectros humanos que pavoneiam, (ou fingem que sim?!...), empatias. E eu, que perescruto, olho à direita, depois à esquerda e busco... estar menos só, ou sentir que sou menos sombra que os outros.
Regresso: silêncio, solidão à minha volta: é agora a Rua dos Fanqueiros, ou da Prata? Que importa?!
Alguém se cruza, olhou, olhei - um espectro mais.
Abordam-me e penso: "já tenho programa".
Tive mesmo: estranho, "sincero", (?), para cantata de "conto do vigário" - abalou-me, mas estragou tudo quando tentou "passar aos actos" - erro sem remédio!...
E o balançar da minha dúvida expectante desfez-se; quis esquecer e ainda lembro - esta impressão de imagens, a câmara escura das minhas sensações - sensações? - devolutas registou. imprimiu, fixou, e lembro.... mais que tudo, que bom teria sido se pudesse ter sido possível não ser tão verdade a certeza da "cantata" - "um amigo", pensei durante horas: desfeito em nada, ou talvez frustrações, um minuto bastou - um comissário de bordo que voou, melhor, quis voar para terra ignota e aterrou mal - derrapou, chafurdou na berma da pista e me salpicou de limalhas que se fundiram em pose, em "flashes" depois, e, sobretudo, esta inapetência inapetecível, e, sim, "jazzo"... é Godot que tarda no absurdo da minha teimosa quietação.

07/04/1994, 5ª-feira, (19h:49')

(Destemperanças)

Parênteses: o título foi atribuído hoje, 08.07.'12.  Quando escrevo, relego o que poderá ser considerado de "apelativo" - escrevo para mim, (que ainda me considero profundamente genuína!).

Cheguei há mais de uma semana do Algarve, onde passei uns dias "chatos" de tanto ser alvo de depreciações e amodorramento do meu "ego" e da minha auto-estima: uma verdadeira lástima! Espero há uma semana resposta a uma carta que enviei para Leiria: nada de nada - farto-me de falar sozinha: o "sonho" desfez-se; não vale mesmo a pena ainda crer que ainda é possível encontrar alguém de geito?!... Ainda que pouco estimulante, todo o tempo com o Zé Pedro era uma "satisfação" para o meu "ego": saía, contactava alguém que, presumivelmente, poderia vir a ocupar um espaço, (limitadíssimo, apesar de tudo), na minha vida: a "vidinha" limitada, os interesses limitados, as conversas bacocas, cansativas, repetitivas, limitadíssimas e estreitas; mas, enfim,... era um homem... cansativo, "estafante", chato, pouco interessante sociologicamente falando, (já que se crê o "supra-sumo" e "um homem com H maiúsculo, do que esperei sempre ver aflorar qualquer coisa que provasse qualquer destas "banhas da cobra" - nada: ficaram goradas todas as minhas expectativas!). Um homem sem surpresas interessantes, linear, "inculto", até, a meu ver.
Mas... Haja Deus! Que me despertou para a vida, para os meus interesses há muito relegados - há tanto para fazer todos os dias, e o tempo escoa-se sem me dar tréguas. Apesar do desinteresse pela casa, que está num "estado de sítio" completo, ainda arranjo ânimo para ir, devagarinho, pouco a pouco, revitalizando o meu espaço vital: preciso de côres novas, de panorâmicas novas, de ares remoçados, de paredes mudadas - é tudo isto que estou a tentar fazer. Queira Deus que eu resolva a questão do telhado para resolver o levantamento das alcatifas e a pintura das paredes! O resto, "areado", limpo, forrado, lustrado, aguenta-se.
Mais um ano lectivo se avizinha e há muito para limpar naquele meu sótão - e renovar, também!
Nem 10 Zés Pedros, (que, mesmo assim, seria pouco para "fazer" um homem ao meu gosto?!...), serão suficientes para mudar-me, ou alterar o meu rumo.
"Ciao", ilusões perdidas; boa noite, tristeza;dancemos com as horas, ao sabor da brisa das palavras!

28/08/1998, (23h:23' +/-)