O Carnaval veio mais cedo
E trouxe toda a bimbalhada
Que quis participar no enredo
Desta louca carnavalada
Vieram gebas, xulos, toleirões
Vieram todos de mãos dadas
Vieram todos os cabrões
Mai-las gordas avacadas
Coitadas: já não comem
Tantos doces, as labregas -
Dizem, agora, que já só fodem
E ficam, assim, sem pregas
As mulas até já pensam,
Que dizer que são casadas
Que o estado das coisas mudam:
Deixam de ser desbragadas!
******
Deram agora em letradas
Entre chás e desgarradas
Coitadas... Até já dizem
Que sim, que são alguém!
Lêem Ary, Andrade e Camões
Trocam "mails" e cartões
Com bonecos e borrões
- Disfarçam, assim, os matacões.
Cheios de pseudo-literacia
(Mas não passam d'analfabetos)
Cobrem as paredes e os tectos
Com tamanhas aleivosias
Que dá pena, nojo e riso
Ver tanta falta de siso
Egos maiores que a cabeça
Onde cabe só a pobreza
De actos falhos d'intentos
Mas, vamos lá, tenham tento:
Oiçam-nos e vão-se fartar
De ouvi-los tentar poetar
Versos, rimas, canções,
Ditos, histórias, anichões!
Coitados: já são doutores
Com cursos d'outros autores?!
Mas não pedem licença ao mundo
Avançam, castram, imitam,
Em voz alta, ou em zumzum,
Que sim, produzem, e criam?!...
06/02/2012, (a aguardar despacho no IMTT#Laranjeiras) - até aos asteriscos
18/02/2012, (05h:06') - depois dos asteriscos
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