quarta-feira, 5 de julho de 2023

ALVES REDOL

 ALVES REDOL

[em três textos "absurdos" (?!)...]

Texto I - (mas não o primeiro a ser composto)

O neorealismo, caracterizado pelo materialismo dialéctico foi muito pouco discutido. As aflorações foram parcas, ou com alguma prolixidade disparada por três elementos. Os masculinos, obviamente; os reis da sessão. Estes presumidos a ocuparem espaço e a armar ao erudito, é que me fazem rir, (ou entristecer?!...) Depois, são de um machismo descarado. Deu-me nervos, inquietou-me o facto de ser-me constantemente cortada a palavra, ou interrompida pelo Alexandre. O pobre é mesmo um persistente admoestador, mas enfim... Com um "ego" enorme, triturador, esgotante - cansa ouvi-lo. Poesia? Que poesia?

         Mete-se-me um frenesim no corpo, que só eu sei . Um desconforto inquietante, e uma              vontade de deixá-lo a falar sozinho. É duma premência só sentida mesmo muito,                      muito  intimamente.

Coitado do Alves Redol?!... O que eu gostei de o ler! Já lá vão anos. Muitos. Por indicação/imposição do professor de uma "cadeira". O Dr Álvaro Pina - um absolutista das novas vagas políticas. (Estranha esta minha asserção, mas, na verdade, era, tornava-se impositivo, e tínhamos que assentar, concordar com ele; de contrário, uma "guerrinha de alecrim e manjerona" teria que ser sustentada, até que concordássemos por inteiro com ele. "Lavagens cerebrais"?!... Mas eu gostava e admirava Alves Redol - não podia era dizer, que ele, (a "sumidade" da FLL),  supunha que lhe estaria a "dar graxa", ou caíam-me os colegas em cima, com as mesmas pressuposições. 

          Alves Redol foi abordado.

          Não levei nada e "caí por lá de paraquedas".

          Estou farta destas amostras de tertúlias.

          A quantas não terei assistido?

          Sensaboronas, insossas, decadentes.

          Só interessam a quem se incha e empurra a barriga para a frente, de facto.

          Lembrei-me da Graça Melo. O mesmo sistema empobrecido pela soberba disfarçada,             e egocêntrica necessidade de se impor, apagar os outros.

           Tristezas...

            Coitado do Alves Redol.        

                                                                               Ramada, 05/07/2023, (00h:32')



Texto II

Rua Alves Redol, em Odivelas

Saí da tertúlia no Fórum Grandella, em S. Domingos de Benfica e ainda era relativamente cedo, muito embora fosse já fim de tarde. Muito ventosa, por sinal.

Soube-me bem andar uns quilómetrozitos a pé. Há muito não o fazia. O "estofo" é que já é outro - canso-me muito... mas persisto. Devo ter libertado muitas toxinas com todo o esforço.

Chego a Odivelas, de metro, entro no carro, ligo o motor e... nada, de nadica.

O quadrante dava indicações: 

- parar o carro; mandar verificar o motor

- bateria fraca - (e substituí-a há uns dois meses)

- pressão do óleo baixa

Abro o "capot". (Que, verdade seja dita, só me aventuro a verificar o mais elementar; nem a vareta do óleo sei "ler"...)

Corri "Seca e Meca" à procura de um sítio onde encontrasse óleo para o motor.

Caiu a noite. Comecei a sentir-me desconfortável, mas continuei a esgotar as hipóteses, (que achava possíveis). Queria ir para casa, mudar-me, tomar um banho quente e descansar.

Que nada. Não havia potência, (?), suficiente para o tirar dali.

Fechei tudo.

Chamei um táxi. (E o que eu gosto de recorrer a eles?!... Tenho andado mais agora de táxi, do que em todo o resto da minha vida. Estão muito caras as tarifas. Mas os autocarros não cobram muito menos. Faz anos sem conta, que não ando em transportes públicos. A única vantagem é podermos observar tudo em nosso redor; incomodam-nos: são os miúdos, são as conversas, é o bambolear do andamento...).


No dia seguinte, fui ver se havia alguma alteração.

Nada.

Chamei o reboque. Uma trabalheira para movimentar o veículo, e colocar de forma segura.

E o tempo a esgotar-se: a oficina a fechar para almoço.

Lá conseguimos deixá-lo entregue. Hoje, quase uma semana depois, ainda não o tenho.

Fará vinte anos em Dezembro próximo - uma vida de muita estrada!

Mas não quero desfazer-me dele. Fica bom, substituindo as peças que são precisas.

Depois, já estou velha, e muito distraída. Um perigo. Não me interessa investir uma pipa de massa num pedaço de lata com quatro rodas.


Ironia das ironias: a rua onde decidiu permanecer, e onde o estacionei, chama-se

                                                      Rua Alves Redol

Ele há coisas?!...

                                                

                                                                                                Ramada, 05/07/2023, (20h:03')



Texto III - (o primeiro desta saga)

A vida tem ganas de me dar desassossego.

A mexerufada tertúlica de ontem deixou-me inquieta e pouco convencida

Autores, poetas, escritores e outros,

Com cobiças de sapo anão,

Deixam passar mensagens sem nível,

Raiando e invectivando a ambições desmedidas

Os "egos" crescendo desgovernados,

Emulando histerias permissivas,

Vaiadas de sôfregas tencionalidades de busca de aplauso

Como é triste a poesia, que se despe inapropriadamente!?

Presunções, intenções e outras "comichões"...

                                

                                   Rua Alves Redol, Odivelas, 30/06/2023, (12h:12') - (enquanto esperava pelo reboque)