sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Um Conto de quando em vez (excertos)...

O padeiro dos Carrapatosos

Muito "sui generis" esta família...

...................

Ele, o Zé das Donas (com C), ressabiando a enjoos, mal-querenças pseudo-empáfias......

...................

O telemóvel é o adereço indispensável, quer seja à janela do quarto, na rua, no carro, mas em alto e bom som, não vá alguém prestar pouca atenção ao que diz... Arranjou o auricular, um trambolhozito para surdos, já que parece que lhe convém, também, fazer reclame a tal aparelho.
Ela, "nem tuge, nem muge" - duvido já que o oiça, ou que alguma vez o tenha ouvido, ou prestado atenção......
Quase sempre de "jeans", uma "bandolette" com um lenço, (uma das muitas variantes à escolha em qualquer loja chinesa; e tem vários lencinhos à "xaloia", para variar o visual......

.....................

O filho, duvido que se abstraia destas realidades; contudo, desde que lhe "encham a mula", vai vivendo santamente, arredado de amigos e amigas.
A cumplicidade com o pai, ......, é duma revoltante falta de respeito para com as outras pessoas. Um dia destes dias assisti à concupiscência de ambos, desaforadamente, relativamente à Dª Fusa, mulher com idade quase para ser avó do "puto"......

....................

Mas vamos ao padeiro.
Pois é: PS por conveniência, da lista cá do burgo, para ter passaporte para outras andanças e benesses.

....................

O neto foi estudar para fora...... Zé das Donas (com C) comprou charuto, fez alarido no café, que "o rapaz ía ser doutor"......
Mas a mãe andou feliz - se as janelas já pouco se abriam, se os cuidados com a casa seriam poucos ou nenhuns, quando o "puto", (chama-lhe o pai, ......), foi para a capital, a coisa piorou: quer dizer, não para a Maria Carrapatosa - entregou-se leda e liberta de entraves, aos langores da alcova: esqueceu pai e mãe, e tudo o resto; viveu do revivalismo do namoro.
Mas o "puto" voltou à base, e, por insólitas e desafrontadas sem-vergonhas, ...... relegando cuidados com o filho, ......(obrigou-o) a asilar-se em casa dos avós.
O padeiro acolhe, e recolhe, frutos de destemperança completa - mas está salvaguadando o "status" da filha, e isso é que importa. Casamento é isso mesmo: para a fêmea querer o macho, e que ele nunca lhe falte no "vale dos lençóis"!


In Contos em Nites de Lua Cheia - O Vale das Sombras
ISBN: 978-989-20-3163-7
Junho de 2012
Composição: Fast.Livro 

sábado, 14 de setembro de 2013

Viver

Viver às vezes é difícil quando nos rendemos à limitação dos horizontes estreitos que nos são impostos - reduzem-se as possibilidades de cumprirmos, ou o que nos era costume, ou o que nos determinamos a conseguir. Reformular, reestruturar estratégias para prosseguir o caminho torna-se demasiado restritivo.
Um princípio temos como certo, enquanto vivos: respiramos - mal ou bem, já não importa.
Três imperativos, para que o continuemos a fazer, se impõem:
- um, dormir
- outro, comer
- outro, ainda, trabalhar
Mas...
- dorme-se quando, como, se as nossas mais íntimas capacidades são coarctadas? Para que o sono reponha energias é básico que, impositivamente, o corpo reclame repouso, efectivo, absoluto. Se os mecanimos mentais não proporcionam relaxamento, não abrandam o seu matraquear, é insuposto que isso seja viabilizado;
- comer o quê quando a despensa já passa a ser um lugar excessivo numa casa? Nas novas construções foi uma redução que foi efectuada em muitas situações, por muito estranho que pareça;
- trabalhar como se querem fazer de nós cigarras? Começamos por assimilar o que erraticamente nos impõem, sibilam os nossos órgãos, rosnam as nossas vísceras roendo atritos, respondem lentamente os sentidos, deixando para depois a vida que nos passa ao lado.
Nunca surgiram tantos fóruns, tantas sessões de esclarecimento, tantas tentativas de motivação?! Outras cigarras em busca de "quorum"! E algumas fazem-se pagar, e bem, para serem ouvidas. 
Se o dinheiro, ( a mola que faz girar, criar, progredir o mundo), falta, é bem capaz de até acontecer que as cigarras deixem de apitar, desassossegadamente, nos arbustos e nas árvores. São monótonas, cansativas e irritantes, não?
Descanso, silêncio, ar...



Vale Vite, 15/09/2013, (07h:15')
-