terça-feira, 6 de março de 2012

Um Conto de Quando em Vez...

Julieta de Muitos Amores e Coração Doente

Telenovelas, revistas de "jet-set", quadraturas desmesuradas preenchem um corpo de mulher sem forma ou função apropriadas.
Tem marido, diz... Não lhe conheço ofício, faz anos.
Deita-se com ele, desejando outros, invejando o bem-estar alheio, quando está.
Percorre as noites dos arrabaldes, de filha a tiracolo, como isco para novas conquistas e presumíveis festanças - não se inibe de lhes dar a chave de casa, directamente, ou através das janelas traseiras, a horas mortas, supondo a vizinhança já toda a dormir o sono dos justos, (?!...)

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Quando para cá vim, nenhum dos dois trabalhava.
A casa vazia, por onde ecoavam as rodas dos triciclos, os berlindes, as bolas, etc...
De repente, de há um ano a esta parte, deu-lhe em rechear o vazio, das divisões e das paredes.
Enche a casa de gente para me dar cabo da cabeça, sabendo que, após dores de cabeça prolongadas, e/ou enxaquecas, tenho hemorragias.
Já cá morou, neste traste de cubículo que habito - deixou a casa num inferno: nem o Montepio se deu ao cuidado de fazer as devidas reparações e/ou substituições do material. Precipitei-me, dada a urgência em resolver o meu problema de residência por cá. Contudo, este facto não obvia falta de civismo, falta de educação e desconhecimento da "política de boa vizinhança".

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Jantar, nunca há; fins-de-semana são dias de jejuar - não fosse a escola e o emprego, nem filha, nem mãe comiam nunca.
Mas ganham os chineses com a farrapagem produzida em série, e ganha o lerdo do marido, quando cá está, com jantares nos restaurantes(-bem) dos arredores.

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Há quem fuja de se cruzar com ela - não entende, e assume-o.

06/11/2011, (21h:18') 

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