domingo, 3 de maio de 2015

Inapetência de tudo

Tenho que me obrigar a voltar aqui, com mais frequência.
Viver só, lutar só, estar longe da família e dos amigos, é, por força, peso demasiado para quem tem tido muito pouco de agradável toda a vida. Não é para sentir que posso falar do que me preocupa - nunca foi essa a minha forma de estar com os outros; também eles têm os seus problemas, embora haja muito quem entenda que fazer dos que estão mais próximos a "caixa de Pandora", possa colmatar, aligeirar as cargas que têm. E sei do que falo - crêem que sou "forte", "nada me derruba".
A nossa fisionomia não engana: é o retrato do que nos massacra, por muita maquilhagem que utilizemos para esconder, disfarçar, minimizar os estragos.
Já fez um ano que, desgostosa com o que ocorria na minha casa da Ramada, depois de ter solicitado uma vistoria dos seguros, me decidi ir vaguear até à Linha. Era fim, ou início de mês - pelo facto de estarmos em fim-de-semana, o pagamento dos vencimentos deu-se mais cedo. Estacionei o carro na alameda do Casino, saí e fui tomar um café, aproveitando para observar a multidão de gente nova que enchia os cafés e esplanadas das arcadas. Copos, garrafas, cinzeiros a transbordar... Quão diferentes eram as seroadas dos meus tempos de estudante, quando tinha a idade deles?!...
Voltei ao carro e arranquei serenamente - regressava a casa, cansada e insatisfeita, talvez mais do que estava.
Junto à estação do Estoril uma mega-operação auto-stop. Muitos polícias, e imensas viaturas.Imaginei que seria para apanhar os beberrões, que tinham que passar por ali. Seria, também. Mas era dia de recebimento da função pública - não há melhor dia para se fazerem colectas.
Mandaram-me estacionar. Ando sempre despreocupada - tento ter tudo certinho: gosto pouco de me sentir desconfortável, ou de ser incomodada.
Surpresa das surpresas: andava sem seguro há um ano!
Ía-me dando o trangalomango!
Os prémios eram sacados mensalmente, o que já onerava bastante o seguro, que era de cobertura total.
Queriam apreender-me o carro, depois decidiram que seria a carta de condução, mas, por fim decidiram-se pelo livrete. A multa: 500,00€. Duvidaram quando disse que não tinha dinheiro. Comigo só tinha 10,00€. Tinha o rol de contas para pagar, ainda. Nunca sobra nada,e o esforço, os sacrifícios e a "ginástica" que faço mensalmente é de loucos.

Tinham cancelado o seguro - o agente, Paulo Seguros, na Lourinhã. 
Hoje, para além da incompetência denotada, sei que jamais o poderia ter feito. Alegou que o carro tinha dez anos e já não podia ter seguros contra todos os riscos. Ainda faltava um ano quando tomou essa "belíssima" decisão. Depois, seguros antigos deste género, não podem ser resolvidos. Mais, ainda: como mediador de outras companhias deveria ter-me proposto uma alternativa.
O processo está, ainda, para resolução. 
Recorri a todas as instâncias possíveis. Aguardo. Vou renovando a guia, porque aqui não se pode viver sem viatura própria.

As artimanhas e espertezas saloias desta gentalha...

Vale Vite, 03/05/2015, (11h:55')

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