domingo, 3 de agosto de 2014

Viver em Portugal

Fala-se hoje muito da (i)/(e)migração. 
Os jornais, a rádio, todos os meios mediáticos, formais ou "on line", não têm pejo em desperdiçar tempo, "non-sense" ou "con-sense" palavras, para provocar o desgaste, a derrocada do que resta nos alicerces da periclitante estrutura humana e/ou social.
Rouba-se tudo - oportunidades, seguranças, esperanças, predisposições, intenções de continuar a (sobre)viver, de nos abstrairmos da insanidade mental que grassa à nossa volta.
A migrância, mais que um estado interior, é um estado "de facto": filhos que regressam para engrossar a frágil conjuntura familiar e social. Querer partir é uma obsessão implacável - para onde, ninguém o sabe definir.
Quem tem encargos com os filhos, que os suporte - ninguém os mandou fazer. Além do mais, é no seio familiar que tudo se (des)constrói. "Charity begins at home".
Ontem fiquei varada com a notícia de que solicitam o pagamento de quase mil euro de I.R.S. à minha mãe. A ajuntar a uma série de doenças, que obrigam a dispêndios obrigatórios de medicação - e sabemos como são considerados os valores gastos para desconto... - usufrui de magros rendimentos: é uma pensionista, que não recebe, por mês, o que lhe exigem de pagamento este ano.
Para além de ter suportado, toda a minha vida os desvarios por que os outros me têm obrigado a resvalar - o último e pior de todos aconteceu farão cerca de três anos, em que até estive a soro no hospital de Torres Vedras - e depois de estarmos conscientes de que as nossas vidas tendiam a equilibrar-se cai-lhe este saque, que tenderá a destruir as poucas resistências que ainda lhe assistem. E as minhas também. Ontem já não consegui ser eu, com o ódio e a amargura a crescer - fugir de onde nos fazem mal, é sempre a resposta mais lógica.
Depois de quase 30 anos de trabalho, com os acréscimos de bonificações pelas deslocações para zonas de risco, e de lhes terem surripiado - palavra tão "levezinha"... - tudo o que o trabalho poude proporcionar, sem nunca lhes terem pago o devido retorno - fora todas as atribulações por que passámos - ainda se acham no direito de nos roubarem a vida.
"Retornados" é a puta e langonhada da cona que os pariu!
Emigrou-se em busca de melhores oportunidades para África. Roubam aos outros que vão ou foram para outros continentes?
Há mágoas que não se esquecem, e "ódios velhos que não cansam", pura e simplesmente porque os continuam a alimentar.
Lixo de país, esterco de gente, corrupta, emporcalhada, pior que vermes!
Rouba-se às escâncaras, e ninguém faz  nada. 
A última vez que vim de Lisboa - já fez um mês - um vizinho entendeu que deveria "cuidar" da minha casa: meteu mãos à obra e pôs-se a arranjar as paredes exteriores. Ninguém lhe encomendou o sermão. Se mais me delongasse em Lisboa - onde tenho imenso trabalho sempre - entrava em casa e para além de vasculhar tudo levaria, provavelmente, o que bem entendesse. E vá lá eu dizer-lhe alguma coisa?!... O que é deles, é deles; o que é nosso, deles também acham que é.
É bom que se diga que alterei tudo em casa - tinha tudo novo, organizado ao meu jeito e gosto - sentia-me bem no meu "estúdio".
Entraram-me em casa, e sei-o porque "sinto" presenças estranhas. Já mudei a fechadura e a tranca da porta, mas de nada valerá. 
Quando me entregaram as chaves de casa, depois de lavrada a escritura, deram-me um envelope com oito chaves; nunca me disseram, mas juntando um com um, em sequência, cheguei à conclusão de que teria sido "a casa de Irene": havia mais chaves por aí espalhadas. Já no meu primeiro livro editado, (edição de autor), falo da promiscuidade desta população, desenvolvida pela crença ideológica - a seita degenerativa mais execrável: os Jeovás, na grande maioria, e outras derivações em menor escala! 
Soube, depois, também, que este Vale era conhecido como "o bairro das putas". 
Que mal fiz eu a Deus e a esta escumalha para me terem desejado, esconjurado, provocado tanto mal? Não os conhecia de lado nenhum, e passo bem sem eles.  
Sou uma mulher só; a minha mãe, também. Temos bens materiais? Não foi roubando a ninguém, nem passando por cima de ninguém. Uma longa luta, cheia de sacrifícios, de toda a ordem, nos possibilitou chegar ao que temos hoje. 
Estamos fartas de sofrer. Chega!
Ser-se impoluto, recto, é uma doença incomum!
A autoridade? Os tribunais? Ah! Demagogia?! Ah! Crisol de contravenções, oportunismos, delapidações do que aos outros pertence?!
Enxúrdia de gente!

Vimeiro, 04/08/2014, (06h:38')      
     

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