Só
Eu sinto-me inexoravelmente só
De uma forma amorfa de já não sentir nada
E uma dor que arde e que dói
Uma lágrima quente que fenece no saco lacrimal
E um ritus de amargura sobraçando desencantos translúcidos no olhar
E eu sinto-me só
E eu quero viver
E eu quero amar
E eu quero gente em meu redor
E quero sentir dor, dádiva, ternura, amor
Quero não ser eu, mas alguém projectado de mim
Nas vibrações esparsas de mim divergentes
Nas lucubrações incessantes
Da extemporaneidade das minhas sensações
Só
Um vácuo incómodo,
Uma tortura da minha volição atrofiada
Um sonho que remanesce em acto interrompido, irrealizado
Tristeza amalgamada em raiva, inércia, amorfismo
25/08/1983, (22h:00')
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