Zé das Tintas Não Usa Robbialac
E como pinta?!... sempre com mais olhos que barriga!
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... prescreveu no seu registo que haveria de conseguir o que o burgo inteiro pretendia debalde ....
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Ao que parece a mulher, remetida ao esquecimento, - chegava de madrugada, saía manhã cedo - aceita todas as variações que o Zé das Tintas se proponha arranjar. O rapaz tem a mania que é o Don Juan cá do sítio...
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... para ele todas as mulheres são um desperdício, uma nódoa na existência humana, mas das quais se serve sempre, à falta de melhor local onde vazar os seus lixos biológicos.
Nem o respeito recata a mulher.
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Tão tamanho é o desaforo que pretende ultrapassar barreiras inconspícuas, surripiando, na calada da noite, os bem-intencionados que, em trabalhos de construção, relegam, em descanso, os seus materiais. O desconchavo é tanto que uma tarde destas, a despropósito, me falou de ter deixado o outro cão no armazém - sei...: deverão ser as arrecadações de algum edifício, como fazia aqui, no prédio onde resido, e de onde o vi sair, mais de uma vez, com caixas - às escondidas, e na calada da noite.
Um dia perguntei-lhe se trabalhava na construção civil: "que não, numa fábrica de tintas!"
Estranho... que empregado sai às duas, três ou quatro da manhã para ir buscar embalagens de tinta, ou outros materiais?
Pois é pintor?! É sim, senhora?!
E como pinta?! As tintas é que perdem a côr...
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Não usa Robbialac, o amigo...
In Contos em Noites de Lua Cheia - O Vale das Sombras
ISBN: 978-989-20-3163-7
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