quinta-feira, 2 de agosto de 2012

(Queria fugir...)

Queria fugir, queria amar...
Queria fugir, deixar-te e sofrer por ser cobarde,
Mas o amor - (será?) - deu-me asas
E eu fiquei perto, tão perto de ti...
Senti vibrar em mim frenéticas sensações,
Extáticas volúpias
E esqueci... esqueci o mundo...
Longe bole tudo o que deixei,
Para ficar ave contusa repousando nos teus venosos, libidinosos amplexos.
Senti próximo o céu da minha louca felicidade,
Senti poisar, em haustos desenfreados, ósculos esterlinos -
Sim: dentro de mim sinto deflagrar-se, colidir estrelas incandescentes de paixão,
De desejos longamente contidos
E fiquei ave acéfala, queda
No onírico ninho de ternura arrastada,
Saciada dos teus braços, da tua boca...
Algo transcendente me banhou o seio de aceso ardor de me sentir tua -
Ou será que tu e eu seríamos uma simples imagem,
Uma irreal quimera difusa, fundida em estreitíssimo amplexo?
Sei só que fiquei,
E hoje só sou "Tu - e - Eu"!

05/08/1971, (14h:00')
- arremedo composto três dias depois do meu desfloramento - uma situação confusa para mim,que me prostrou, com o corpo todo "partinho", como se me tivesse exercitado duramente para os jogos olímpicos - do prazer nada ficou: dores, uma forma estranha de invasão, de violência; estive sempre expectante, tentando perceber o jogo dos nossos corpos, e como conduziria tudo isso ao clímax: "ave acéfala"?!...

Sem comentários:

Enviar um comentário