terça-feira, 21 de agosto de 2012

Não me importa...

Não me importa já se vou se fico
Não me incomoda já a fumaça
Que se evola nas minhas lucubrações
Não me indago já das incertezas
Não luto já por mais certezas
Está tudo feito, está tudo sonhado
E nem já a esperança me acalenta
O ritmo das minhas emoções
Quedo-me nas palavras que mimo
Aos gestos inconsequentes de absoluto
E prolongo-me em êxtases revivalistas
Nos siderais diapasões das minhas soltas vivências
Sombras, sigilos, repercussões,
Poses, reflexos, penumbras,
Crepúsculos, gaivotas, evoluções,
Silêncios, cadências, orações
E mundos ignaros, silentes,
Cinegéticos de cinestesias, dolências
Marés de vagas inventadas
Batéis, romarias, terraços,
Ribalta, luzes, guitarras
Timbres que imergem e me transportam
Nos esquarteirados espaços das fechaduras das portas
Trancas, ferrolhos, grilhetas
E esta liberdade que mede
Imagens fortuitas de forjadas realizações alheias
Balanço, quebranto, perdas
Regresso de fugas constantes,
Lugares vazios de assoberbados
E um desânimo morronhento
Que esparge lassidão,
Desencanto, frustração, dor
Na minha plenitude extemporânea
De entendimento dos porquês

23/08/1984, (13h:58')

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