Parênteses: título hoje aventado, 08.07.'12
Aconteceu passar por mim uma "sombra" mais: quatro dias passaram - Domingo de Páscoa!
Cansada de jazer como quem espera Godot desassossegadamente, saí para o Sol, fui ver a vida, o que dela se projecta nos outros - é a Baixa, são os "street-lancers", é o espectáculo dos espectros humanos que pavoneiam, (ou fingem que sim?!...), empatias. E eu, que perescruto, olho à direita, depois à esquerda e busco... estar menos só, ou sentir que sou menos sombra que os outros.
Regresso: silêncio, solidão à minha volta: é agora a Rua dos Fanqueiros, ou da Prata? Que importa?!
Alguém se cruza, olhou, olhei - um espectro mais.
Abordam-me e penso: "já tenho programa".
Tive mesmo: estranho, "sincero", (?), para cantata de "conto do vigário" - abalou-me, mas estragou tudo quando tentou "passar aos actos" - erro sem remédio!...
E o balançar da minha dúvida expectante desfez-se; quis esquecer e ainda lembro - esta impressão de imagens, a câmara escura das minhas sensações - sensações? - devolutas registou. imprimiu, fixou, e lembro.... mais que tudo, que bom teria sido se pudesse ter sido possível não ser tão verdade a certeza da "cantata" - "um amigo", pensei durante horas: desfeito em nada, ou talvez frustrações, um minuto bastou - um comissário de bordo que voou, melhor, quis voar para terra ignota e aterrou mal - derrapou, chafurdou na berma da pista e me salpicou de limalhas que se fundiram em pose, em "flashes" depois, e, sobretudo, esta inapetência inapetecível, e, sim, "jazzo"... é Godot que tarda no absurdo da minha teimosa quietação.
07/04/1994, 5ª-feira, (19h:49')
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