ALVES REDOL
[em três textos "absurdos" (?!)...]
Texto I - (mas não o primeiro a ser composto)
O neorealismo, caracterizado pelo materialismo dialéctico foi muito pouco discutido. As aflorações foram parcas, ou com alguma prolixidade disparada por três elementos. Os masculinos, obviamente; os reis da sessão. Estes presumidos a ocuparem espaço e a armar ao erudito, é que me fazem rir, (ou entristecer?!...) Depois, são de um machismo descarado. Deu-me nervos, inquietou-me o facto de ser-me constantemente cortada a palavra, ou interrompida pelo Alexandre. O pobre é mesmo um persistente admoestador, mas enfim... Com um "ego" enorme, triturador, esgotante - cansa ouvi-lo. Poesia? Que poesia?
Mete-se-me um frenesim no corpo, que só eu sei . Um desconforto inquietante, e uma vontade de deixá-lo a falar sozinho. É duma premência só sentida mesmo muito, muito intimamente.
Coitado do Alves Redol?!... O que eu gostei de o ler! Já lá vão anos. Muitos. Por indicação/imposição do professor de uma "cadeira". O Dr Álvaro Pina - um absolutista das novas vagas políticas. (Estranha esta minha asserção, mas, na verdade, era, tornava-se impositivo, e tínhamos que assentar, concordar com ele; de contrário, uma "guerrinha de alecrim e manjerona" teria que ser sustentada, até que concordássemos por inteiro com ele. "Lavagens cerebrais"?!... Mas eu gostava e admirava Alves Redol - não podia era dizer, que ele, (a "sumidade" da FLL), supunha que lhe estaria a "dar graxa", ou caíam-me os colegas em cima, com as mesmas pressuposições.
Alves Redol foi abordado.
Não levei nada e "caí por lá de paraquedas".
Estou farta destas amostras de tertúlias.
A quantas não terei assistido?
Sensaboronas, insossas, decadentes.
Só interessam a quem se incha e empurra a barriga para a frente, de facto.
Lembrei-me da Graça Melo. O mesmo sistema empobrecido pela soberba disfarçada, e egocêntrica necessidade de se impor, apagar os outros.
Tristezas...
Coitado do Alves Redol.
Ramada, 05/07/2023, (00h:32')
Texto II
Rua Alves Redol, em Odivelas
Saí da tertúlia no Fórum Grandella, em S. Domingos de Benfica e ainda era relativamente cedo, muito embora fosse já fim de tarde. Muito ventosa, por sinal.
Soube-me bem andar uns quilómetrozitos a pé. Há muito não o fazia. O "estofo" é que já é outro - canso-me muito... mas persisto. Devo ter libertado muitas toxinas com todo o esforço.
Chego a Odivelas, de metro, entro no carro, ligo o motor e... nada, de nadica.
O quadrante dava indicações:
- parar o carro; mandar verificar o motor
- bateria fraca - (e substituí-a há uns dois meses)
- pressão do óleo baixa
Abro o "capot". (Que, verdade seja dita, só me aventuro a verificar o mais elementar; nem a vareta do óleo sei "ler"...)
Corri "Seca e Meca" à procura de um sítio onde encontrasse óleo para o motor.
Caiu a noite. Comecei a sentir-me desconfortável, mas continuei a esgotar as hipóteses, (que achava possíveis). Queria ir para casa, mudar-me, tomar um banho quente e descansar.
Que nada. Não havia potência, (?), suficiente para o tirar dali.
Fechei tudo.
Chamei um táxi. (E o que eu gosto de recorrer a eles?!... Tenho andado mais agora de táxi, do que em todo o resto da minha vida. Estão muito caras as tarifas. Mas os autocarros não cobram muito menos. Faz anos sem conta, que não ando em transportes públicos. A única vantagem é podermos observar tudo em nosso redor; incomodam-nos: são os miúdos, são as conversas, é o bambolear do andamento...).
No dia seguinte, fui ver se havia alguma alteração.
Nada.
Chamei o reboque. Uma trabalheira para movimentar o veículo, e colocar de forma segura.
E o tempo a esgotar-se: a oficina a fechar para almoço.
Lá conseguimos deixá-lo entregue. Hoje, quase uma semana depois, ainda não o tenho.
Fará vinte anos em Dezembro próximo - uma vida de muita estrada!
Mas não quero desfazer-me dele. Fica bom, substituindo as peças que são precisas.
Depois, já estou velha, e muito distraída. Um perigo. Não me interessa investir uma pipa de massa num pedaço de lata com quatro rodas.
Ironia das ironias: a rua onde decidiu permanecer, e onde o estacionei, chama-se
Rua Alves Redol
Ele há coisas?!...
Ramada, 05/07/2023, (20h:03')
Texto III - (o primeiro desta saga)
A vida tem ganas de me dar desassossego.
A mexerufada tertúlica de ontem deixou-me inquieta e pouco convencida
Autores, poetas, escritores e outros,
Com cobiças de sapo anão,
Deixam passar mensagens sem nível,
Raiando e invectivando a ambições desmedidas
Os "egos" crescendo desgovernados,
Emulando histerias permissivas,
Vaiadas de sôfregas tencionalidades de busca de aplauso
Como é triste a poesia, que se despe inapropriadamente!?
Presunções, intenções e outras "comichões"...
Rua Alves Redol, Odivelas, 30/06/2023, (12h:12') - (enquanto esperava pelo reboque)
Sem comentários:
Enviar um comentário